Editorial
Agronegócio
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A xícara, a lavoura e o elo que não fecha
A ideia de um café vendido caro, com margem magra para quem planta, é uma pergunta — não uma conta fechada. O que se sustenta não é um preço, um acordo nem uma captura medida. São mecanismos distintos, e o lugar em que deixam de se encadear.

A safra não garante o prato
Ampliar a produção agrícola e ainda conviver com quem não come o bastante parece paradoxo. Não é, se produção, renda, preço e resposta política forem processos distintos. A história econômica mostra elos de sinais opostos. Nenhum deles é automático — e o tamanho do desencontro, hoje, exigiria evidência que o mecanismo não substitui.

A abundância que não chega à mesa: o paradoxo do agronegócio e da fome no Brasil
A expansão da produção agrícola brasileira e a persistência da insegurança alimentar não são contradições acidentais, mas resultados de uma estrutura econômica que prioriza a eficiência exportadora e a concentração de valor. A evidência indica que a fome é um problema de acesso e distribuição, não de oferta. Sem mudanças nas regras institucionais que governam a captura de riqueza, o aumento da

Por que a melhor tecnologia costuma perder
Superioridade técnica é um critério fraco para prever o destino de uma invenção. O que decide é quem já está preso ao padrão atual, quem perde renda com a troca, que rotinas teriam de ser refeitas — e quem paga o custo do primeiro passo.

Por que o produtor vende matéria-prima e o consumidor compra significado
A distância entre o preço da saca e o preço da xícara não é acidente nem maldade. É o resultado de três máquinas operando ao mesmo tempo: uma que forma preço de commodity, outra que distribui poder de barganha na cadeia e uma terceira que fabrica significado — e só a última tem margem, porque só ela não é substituível.

O que a fronteira acrescenta a um produto que ele não conseguia ter em casa
O mesmo café que vale pouco na porteira vira item de vitrine em outra moeda. Três mecanismos diferentes explicam a diferença — e eles têm donos diferentes. É por isso que o ganho da travessia raramente volta para quem produziu.

O colchão voltou — e a indústria não está mais embaixo dele
Em 2025 o Brasil exportou o recorde de US$ 348,7 bilhões, com volumes recordes de minério, soja e petróleo ao mesmo tempo. No mesmo país, a indústria de transformação responde por menos de 11% do PIB. Uma tese da LSE explicou como a riqueza do solo financiava a fábrica brasileira. Esta investigação pergunta o que aconteceu com o encanamento entre as duas.