Editorial
Análise, dados e contexto
Matérias longas sobre o que move o Brasil — pesquisa checada, fontes citadas, leitura sem pressa.
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A safra não garante o prato
Ampliar a produção agrícola e ainda conviver com quem não come o bastante parece paradoxo. Não é, se produção, renda, preço e resposta política forem processos distintos. A história econômica mostra elos de sinais opostos. Nenhum deles é automático — e o tamanho do desencontro, hoje, exigiria evidência que o mecanismo não substitui.

A abundância que não chega à mesa: o paradoxo do agronegócio e da fome no Brasil
A expansão da produção agrícola brasileira e a persistência da insegurança alimentar não são contradições acidentais, mas resultados de uma estrutura econômica que prioriza a eficiência exportadora e a concentração de valor. A evidência indica que a fome é um problema de acesso e distribuição, não de oferta. Sem mudanças nas regras institucionais que governam a captura de riqueza, o aumento da
Matérias recentes

Por que a melhor tecnologia costuma perder
Superioridade técnica é um critério fraco para prever o destino de uma invenção. O que decide é quem já está preso ao padrão atual, quem perde renda com a troca, que rotinas teriam de ser refeitas — e quem paga o custo do primeiro passo.

A conta que ninguém faz: por que 'leve 3, pague 2' convence mesmo quando o desconto é pequeno
Uma oferta de três por dois é duas coisas ao mesmo tempo: uma aritmética simples que quase ninguém faz no corredor do supermercado e um instrumento de precificação que separa clientes sem anunciar preços diferentes. O que acontece na cabeça de quem compra — e o que o vendedor está comprando com esse desconto.

Por que o produtor vende matéria-prima e o consumidor compra significado
A distância entre o preço da saca e o preço da xícara não é acidente nem maldade. É o resultado de três máquinas operando ao mesmo tempo: uma que forma preço de commodity, outra que distribui poder de barganha na cadeia e uma terceira que fabrica significado — e só a última tem margem, porque só ela não é substituível.

O que a fronteira acrescenta a um produto que ele não conseguia ter em casa
O mesmo café que vale pouco na porteira vira item de vitrine em outra moeda. Três mecanismos diferentes explicam a diferença — e eles têm donos diferentes. É por isso que o ganho da travessia raramente volta para quem produziu.

Se ouro fosse riqueza, a Espanha teria sido o país mais rico da história
Petróleo, minério e terra fértil convivem com pobreza em boa parte do mundo. A explicação não está no subsolo, mas no que acontece com a renda depois que ela sai dele: quem pode se apropriar dela, o que ela compra e se existe economia interna capaz de absorvê-la.

Por que uma coisa é "sofisticada" e outra igual é "comum"
Dois produtos com a mesma função, a mesma matéria-prima e custo parecido seguem destinos simbólicos opostos. A resposta não está no objeto: está numa cadeia de instâncias — classes, impérios, países, marcas e empresas — que emitem o veredito e depois o fazem parecer natural. Um percurso por Bourdieu, Pomeranz, Said, Fanon, Nye, Porter e Holt.

Quem decide o que é chique: a engenharia social do bom gosto
Um mesmo objeto pode ser refinado numa estante e ordinário na estante ao lado. Bourdieu, Holt, Pomeranz, Said, Fanon, Nye e Caio Prado descrevem, cada um de seu ângulo, o maquinário que transforma diferença de gosto em hierarquia — e mostram que a pergunta "isto é sofisticado?" nunca é sobre o objeto.

O Brasil ganhou a corrida do lingotamento. E não está na corrida seguinte
Em 1990 o Brasil lingotava 58% do seu aço de forma contínua, contra 96% da Coreia do Sul. Hoje lingota 99,6% — acima da Coreia. A defasagem fechou e inverteu. Mas quando se procura o Brasil na tabela da tecnologia que define a fronteira industrial de agora, acontece uma coisa diferente de estar atrás: ele não está na tabela.

O colchão voltou — e a indústria não está mais embaixo dele
Em 2025 o Brasil exportou o recorde de US$ 348,7 bilhões, com volumes recordes de minério, soja e petróleo ao mesmo tempo. No mesmo país, a indústria de transformação responde por menos de 11% do PIB. Uma tese da LSE explicou como a riqueza do solo financiava a fábrica brasileira. Esta investigação pergunta o que aconteceu com o encanamento entre as duas.
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A xícara, a lavoura e o elo que não fecha

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Economia

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Agronegócio

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